023 - X-Men
O quadrinho que marcou minha vida
Já mencionei muito brevemente aqui o meu amigo Valmir, que por volta de 1992 começou a me emprestar suas X-Men e acabou me despertando um interesse em quadrinhos completamente diferentes dos quais eu estava acostumado a ler.
Voltando um pouco mais no tempo, entre meus dois e três anos de idade o meu pai me ensinou a ler usando blocos silábicos. Então, com três anos, eu comecei a ganhar minhas primeiras revistas em quadrinhos, principalmente da Disney. O Tio Patinhas era meu personagem favorito, pois suas histórias eram repletas de aventura, inspirando o desenho Ducktales, que eu também adorava.
Assim, com nove anos eu já tinha umas 350 revistas Disney e comprava mensalmente Tio Patinhas e Mickey, esta última por causa do lado detetivesco, que me atraía. E em 1992 troquei a revista do Mickey pela do Wolverine, que estreava sua primeira revista mensal pela Editora Abril. Nos 20 anos seguintes eu comprei quadrinhos dos X-Men, com breves intervalos de ausência no meio.
Cansei devido ao ciclo repetitivo de histórias, mas ainda considero o que de melhor já foi bolado no gênero de super-heróis. Minha ideia nessa edição é apenas fazer um overview sobre os mutantes na Marvel e porque gosto deles.
Origem
Os personagens foram criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby e a equipe original era composta por Ciclope (Scott Summers), Garota Marvel (Jean Grey), Fera (Henry McCoy), Anjo (Warren Worthington III) e Homem de Gelo (Robert Drake), sob o comando de Charles Xavier e cujo maior inimigo era Magneto. Essa primeira fase é praticamente esquecível, tendo como maiores contribuições apenas a concepção dos aspectos centrais da equipe, a identidade visual, etc.
Como distinção relevante dos demais super-heróis, ser mutante era algo genético. Os personagens tinham um gene que causava essa condição de ter poderes. Então de certa forma são mais calcados em bases científicas do que um deus nórdico ou uma aranha radioativa.
Revolução
Mas foi em 1975 que a Marvel decidiu reinventar a equipe, dando ao roteirista veterano Len Wein a tarefa de criar novos personagens para resgatar os originais da Ilha Krakoa. Entre esses, Tempestade, Wolverine (que havia sido criado pelo próprio Wein em 1974 numa história do Hulk), Colossus e Noturno. Era o desejo de trazer diversidade para os mutantes. Um russo, um alemão, um canadense e uma mulher negra.
E foi após esse revival que um roteirista chamado Chris Claremont assumiu o título para uma jornada de 16 anos e é esse período que efetivamente define os personagens. Em parte desses anos ele teve uma parceria com o desenhista John Byrne, que também auxiliava nos argumentos e alguns defendem ser mais relevante, mas eu considero que Claremont sobreviveu bem à saída dele.
O primeiro mérito do autor era que ele valorizava mais as relações entre os personagens que a ação. E foi assim que passamos a enxergar as personalidades complexas por trás dos poderes. Os roteiros funcionavam mais como um novelão, inclusive com trama de clone décadas antes da Glória Perez.
Segundo que o argumentista foi quem realmente começou a explorar os mutantes como uma minoria oprimida. Xavier de fato funcionava como Martin Luther King e Magneto como Malcolm X, duas faces da mesma luta em vez de um antagonismo raso como se via antes. Ler X-Men como um adolescente era aprender a se solidarizar com as minorias.
Terceiro que Claremont colocou em foco as personagens femininas. Jean Grey, Tempestade, Vampira, Moira MacTaggert, Cristal, Psylocke, Rachel Summers, Magia, Miragem e Lince Negra são personagens incríveis, quase todas criadas pelo próprio roteirista, e cujas personalidades foram concebidas nestes anos, definindo-as até hoje.
Para completar, grandes e rocambolescas sagas iam se avizinhando nas histórias lentamente até explodir em histórias épicas que duravam três ou quatro meses e alteravam completamente o status quo da equipe. O Sr. Sinistro, Apocalipse, Inferno, a Queda dos Mutantes, o Massacre de Mutantes, Dias de um Futuro Esquecido, Deus Ama Homem Mata e, claro, a Saga da Fênix, são só alguns exemplos. Poucas coisas foram mais marcantes na história dos quadrinhos dos EUA do que a necessidade de Jean morrer para expiar os pecados da entidade Fênix, que havia se unido a ela.
E hoje?
Bem, eu larguei os quadrinhos em 2012 porque estava repetitivo e numa fase de ideias ruins (a gota d’água foi quando eu soube que haveria uma história com a Fênix dividida em cinco personagens), mas nos últimos anos parece que uma reviravolta interessante aconteceu, com os mutantes indo morar em Krakoa e fazendo desta uma nação onde qualquer mutante poderia ser quem é livremente. Confesso que me deu uma certa curiosidade de pegar uns encadernados e conferir se eu ainda conheço os personagens.
O estilo de Chris Claremont não é mais imitado atualmente, porque virou um produto de seu tempo, carregado na verborragia. Mas a ideia de que X-Men é uma novela permanece, e traições, vinganças, revelações e reviravoltas ainda são tão relevantes para as histórias quanto os vilões e as batalhas em si. Não à toa foi marcante a entrada de Emma Frost na equipe (algo que eu não gosto).
Os X-Men foram uma parte muito significativa da minha vida e hoje eu sei que gostava pelo drama, pelo estilo slice-of-life, com o detalhe de que as vidas que eu acompanhava eram de pessoas com superpoderes. O Wolverine era meu personagem favorito na adolescência, mas hoje gosto mais de Tempestade (Ororo) e Lince Negra (Kitty Pryde), apenas para citar duas.
Um Filme: Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes
Eu gosto bastante do universo concebido pela Suzanne Collins para a franquia Jogos Vorazes. Tenho a trilogia de livros original em alta conta, pra mim é a melhor distopia do Século XXI. O final pode ser um pouco decepcionante para alguns, mas é coerente com a proposta de fazer um paralelo com a guerra ao terror do Bush. Então quando ela anunciou essa prequel, fiquei curioso. Porém, até hoje não li e fui adiando e o longa saiu.
Dessa forma, pela primeira vez cheguei a um filme da série completamente no escuro, exceto pelo fato de ser uma história de origem do vilão da trilogia original, Snow. E me impressionei bastante com a complexidade conferida ao personagem e de como o elenco consegue colaborar para isso. Alguns momentos soaram acelerados, mas de maneira geral me pareceu uma boa adaptação.
Leia a minha opinião completa sobre o filme no Letterboxd: Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes
Onde ver: Cinemas
Outros filmes que vi esse mês:
As Marvels (Cinemas)
O Assassino (Netflix)
Um Livro: O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei
Eu nem sempre aprecio a leitura dessas obras da dita Alta Literatura contemporânea. Muita forma para pouco conteúdo. A forma em O Peso do Pássaro Morto é impressionante, uma prosa poética muito bem trabalhada para fazer uso dos parágrafos, da pontuação, do comprimento das sentenças, para expressar os sentimentos da protagonista. Entretanto, não sei se é porque não sou habituado a ler poesia, mas não gostei muito da experiência de leitura. É rápida, impactante, mas não fiquei com vontade de ler mais.
Ao mesmo tempo, a história contada é uma sequência de desastres que tornam a vida da protagonista horrível. Ela claramente sofre de depressão e a narrativa não oferece suspiros, é sempre triste. Bem escrito, mas não é pra mim.
Leia a minha opinião completa no Goodreads: O Peso do Pássaro Morto
Uma Experiência: Taylor Swift: The Eras Tour
Cogitei por um instante ir a algum dos shows da Taylor Swift no Brasil. Mas dois motivos principais me fizeram desistir: o primeiro é que eu praticamente deixei de ouvir música, então eu gostava bastante do início da carreira dela, depois gostei um pouco menos e depois não ouvi mais. Dessa forma, uns 2/3 do show seria com músicas que eu nem conheço; o segundo motivo é o rolê em si: viajar, ingresso caro, fila imensa, perrengue, calor, chuva, e nenhuma companhia em vista.
Porém, quando fiquei sabendo que ela lançaria nos cinemas, achei que seria uma boa experiência. E de fato foi. Na véspera ouvi a playlist do show para conhecer as músicas e encarei o desafio. E me diverti mais do que esperava. A cantora sabe manter a atenção da plateia e o show é incessante. Eu não gostei de uma coisa ou outra, mas no geral achei um ótimo entretenimento.
Leia minha opinião completa sobre a filmagem do show no Letterboxd: Taylor Swift: The Eras Tour
Um Podcast: Confins do Universo
O nome do Sidney Gusman chegou a mim na época de lançamento dos mangás de Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco pela Conrad em 2000. Poucos anos depois fui frequentador assíduo do site Universo HQ e faz alguns anos que o Sidão, que na última década tem sido editor de graphic novels da Turma da Mônica, e os demais criadores do site lançaram o podcast Confins do Universo, para discutir quadrinhos.
São quase 200 episódios sobre os mais variados assuntos ligados à nona arte, desde análise de filmes de super-heróis a entrevistas com artistas, passando pela história de editoras clássicas brasileiras ou indicações em geral. Obras brasileiras, americanas, europeias e japonesas já foram discutidas no podcast.
Curiosidade: um dos últimos entrevistados no podcast foi o desenhista paraibano Mike Deodato Jr., e ele comenta sobre seu pai, Deodato Borges, e o herói criado por este, o Flama, que nos anos 60 virou radionovela em Campina Grande e, isso não está no episódio, meu tio Walmir Chaves atuava como um dos personagens.
Recentemente o episódio 189 comemorou os 60 anos de lançamento dos X-Men e acabou me dando a ideia de fazer essa pauta.
Ouçam no seu agregador favorito ou no link abaixo:
https://universohq.com/podcast/confins-do-universo-189-x-men-seis-decadas-mutantes/
Uma Newsletter: Queria ser grande, mas desisti, por Bárbara Bom Angelo
A Bárbara publica edições relativamente curtas de sua newsletter e com uma boa curadoria de links. Nesta edição de algumas semanas atrás ela aborda seu consumo desenfreado de notícias, necessário devido à profissão de jornalista. E me fez pensar sobre como eu não abandono o Twitter justamente pelo desejo das notícias o mais frescas que for possível. E no meu caso nem sempre são notícias em si, mas acontecimentos. Da briga das celebridades ao escândalo político, tudo aparece primeiro no Twitter.
Mas para saber como a Bárbara lida com as notícias, leia a newsletter dela:



