078 - Tops 2025
Meu entretenimento favorito do ano que passou
Eu amo o mês de janeiro na newsletter. Sempre começo o ano com o post dos tops do anterior e emendo com minha análise pessoal das estatísticas do ano. Mas uma coisa por vez, nesta edição aqui é a lista de rankings de preferências de 2025. Lembro que é uma lista completamente pessoal, e toda lista diz respeito a um momento. Eu decidi essa ordem na semana em que escrevo a newsletter. Se fizesse na próxima, já poderia ser diferente.
Antes de começar, trago o link da edição passada, caso alguém tenha curiosidade: Tops 2024.
Quadrinhos
Li 15 revistas em quadrinhos, um pouco a mais do que nos últimos anos. Foram quatro volumes de Sangatsu no Lion, três de One Piece, um de Saga, um de Nodame Cantabile e os seis de Akira. Saga continua cativante e passa a impressão de que essa novelinha cósmica poderia seguir indefinidamente. Nodame Cantabile me impressionou mais do que eu esperava, com o único volume lançado até agora (o segundo já deveria estar na minha casa). Mas Akira foi realmente uma surpresa. O primeiro volume foi apenas divertido, mas do segundo ao quinto o mangá de Katsuhiro Otomo se torna espetacular. São tantas páginas com artes incríveis que dá vontade de emoldurar tudo. O último volume volta a cair um pouco, mas ainda termina bom. Definitivamente o melhor quadrinho de 2025. Para 2026 espero ler os sete volumes de Nausicaa.
3. Saga
2. Nodame Cantabile
1. Akira
Jogos de Tabuleiro
Eu poderia novamente citar o Brass Birmingham, pois joguei outra vez e segui gostando bastante, mas vamos optar pela variedade.
3. Verdant: um jogo com arte linda sobre plantas e seus tipos. A dinâmica é relativamente simples e as partidas tendem a ser breves. Mas me encantei com a ideia, achei original a forma de usar cartas na jogabilidade;
2. Copenhagen: este é quase um Tetris, me surpreendi muito de ter gostado tanto. A forma de seleção das peças e de pontuação torna o resultado imprevisível e aumenta a rejogabilidade;
1. Whistle Stop: fechando a lista do ano, a maior surpresa foi que nenhum dos jogos é tão pesado. Este tem uma proposta que ecoa outros jogos ferroviários, como Ticket to Ride, mas introduz muitos elementos e acaba lembrando mais um Great Western Trail, na dinâmica de fazer entregas e passar em paradas.
Podcasts
Fui tão atropelado esse ano que nem consigo avaliar muito o mercado de podcasts. Mal ouvi os habituais, quase não maratonei nada e descobri poucos novos, alguns destes só adicionei pra ouvir um dia.
Como menções honrosas destaco:
Leitura Estranha: este foi o único novo podcast que consegui efetivamente acompanhar. Arthur Marchetto, Anna Raíssa e George Amaral discutem obras e conceitos da Weird Fiction e seus derivados. A primeira temporada tem oito episódios, todos ótimos. Talvez meu favorito seja o sétimo, sobre Aniquilação, do Jeff VanderMeer;
Rádio Escafandro: não é um podcast novo, mas comecei a ouvir apenas este ano o Escafandro, e ouvi por alguns meses e me atrasei, estou devendo muitos episódios de 2025. Mas ouvi vários que adorei, como o 133 - Inteligência artificial artificial, sobre os impactos da IA;
The Skeptics’ Guide to the Universe: o mais que tradicional SGU completou 20 anos em 2025 sem jamais pular uma semana sequer. Faz alguns anos que ouço semanalmente as notícias do mundo da Ciência e do Ceticismo;
5. Imaginary Worlds: repeteco do ano passado. Vários bons episódios, vou destacar o duplo sobre Milicent Patrick e Mary Blair, duas artistas do passado das animações Disney;
4. Vinte Mil Léguas: Terminei em 2025 a primeira temporada, sobre Charles Darwin, e ouvi toda a segunda, sobre Alexander Von Humboldt. Essa junção de Literatura e Ciência é maravilhosa e eu adorei conhecer mais do Von Humboldt. Em vez de citar um episódio, ouçam na ordem;
3. 30:MIN: não faz tantos anos que comecei a acompanhar o 30:MIN, mas este com certeza foi o mais consistente dos últimos. Além de entrevistas com autores como o José Falero e a Aline Valek e da estreia do 15:MIN sobre notícias literárias, a equipe do podcast produziu a série P.E.N.T.E., sobre crítica literária a partir de cinco elementos principais da narrativa: Personagem, Espaço, Narrador, Tempo e Enredo;
2. Xadrez Verbal: a revista semanal de política internacional em formato podcastal segue muito sólida, tratando em detalhes das insanidades do governo Trump, das guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, da instabilidade em vários países africanos, etc. Não vivo mais sem o XV;
1. Rádio Novelo Apresenta: não são todas as histórias que eu gosto, mas a média é muito alta. E a equipe é maravilhosa. Esse ano ainda contou com a excelente minissérie Avestruz Master, também da Novelo, e o Fio da Meada, um pouco mais irregular mas ainda com boas entrevistas. Do Apresenta meu favorito foi o Duas Novelas, contando a origem do casal lésbico de Vale Tudo.
Newsletters
Este ano li bem menos newsletters, o tempo apertou, então sinto muito se a sua não apareceu aqui. Eu cortei mais do que adicionei. Mas ainda assim li excelentes edições.
Todas as newsletters estão com links para vocês assinarem.
Menções Honrosas:
Queria ser grande, mas desisti: eu demorei a me encantar pela newsletter da Bárbara Bom Angelo. Durante um tempo quase desisti de assinar e o que me fez insistir foi o fato de ser curtinha, na média. Mas ao longo de 2025 alguma coisa virou a chave pra mim e me peguei gostando mais e mais da Queria ser grande, então achei que valia a menção;
Tipo Aquilo: já a newsletter do Cadu Carvalho voltou a aparecer nas menções. Sempre aprendo muito sobre Tipografia com a Tipo Aquilo, gosto principalmente das edições que abordam aspectos históricos. Neste ano a newsletter chegou a 100 edições na numeração principal;
Te escrevo cartas: A Paula Maria também já constava da lista do ano passado e a Te escrevo cartas manteve sua consistência ao longo de 2025, com algumas edições mais emotivas;
5. Braulio Tavares: uma das poucas novidades dessa lista é a newsletter do Braulio Tavares, que é basicamente um veículo adicional para as crônicas que ele publicava no blog Mundo Fantasmo. Mas eu sou apaixonado pelo estilo do Braulio, então adorei a novidade e a variedade temática que lhe é tão característica;
4. Ovelha Azul: embora a Bia diga que ela está se perdendo no rumo da newsletter, eu achei 2025 um ano muito sólido para a Ovelha Azul. Se hoje meus textos favoritos são as reflexões sobre a Internet, acredito que vou continuar gostando caso o tema mude;
3. Bom Proveito: apesar da periodicidade mais espaçada, não tem jeito, a newsletter da Gabriele continua um deleite. Preciso incluir mais alguma coisa sobre viagens nas minhas leituras, porque gosto demais;
2. Anacronista: embora às vezes haja uma irregularidade na frequência, a newsletter da Ana Rüsche se aperfeiçoa a cada ano, gosto particularmente quando há séries temáticas, como “A escrita e a máquina”, publicada no início de 2025;
1. Uma Palavra: a veterana de newsletters Aline Valek ocupou o primeiro lugar da minha lista deste ano. Eu quase encaixei o podcast Bobagens Imperdíveis no outro top, ficou de fora por um detalhe. Mas a Uma Palavra teve um excelente ano, inclusive as edições secretas para apoiadores.
Séries
Este foi também um ano diferente para as séries que assisto. Mantive a média de três temporadas de Star Trek por ano, mas o final foi triste, porque depois de anos vendo vagarosamente às séries na Netflix, sairão do streaming na semana de publicação desta newsletter. Mas foi diferente porque vi menos minisséries do que vinha vendo nos últimos anos.
Menções Honrosas:
O Eternauta: sigo devendo a leitura do quadrinho argentino, mas gostei bastante da primeira temporada da adaptação com o Ricardo Darín protagonizando. Pós-apocalíptico, uma boa construção do mistério e tenso; (Netflix)
Sakamichi no Apollon: um anime curtinho de jazz com três personagens carismáticos e bem desenvolvidos. O único defeito é acabar logo; (indisponível no streaming)
5. The Last of Us: a segunda temporada da série que adapta os jogos de sucesso foi mais divisiva. O que me incomodou foi a presença de algumas cenas muito com cara de videogame, do ângulo da câmera ao caminho percorrido no cenário. Mas gostei das atuações, das reviravoltas e estou animado para a próxima; (HBO Max)
4. Ruptura: a segunda temporada da série de escritório do Ben Stiller perde um pouco o fator da novidade, e uma subtrama que é reduzida era a minha favorita. Mas ainda assim a série traz várias respostas e formula outras perguntas, o bastante para instigar. Fora o aspecto visual, que segue brilhante; (Appletv+)
3. Andor: a série protagonizada pelo Diego Luna vinha sendo tão elogiada que dei um jeito de assistir. E não me arrependi: é o melhor da parte política de Star Wars e traz um Stellan Skarsgard no auge (e nem é a última aparição dele nesta newsletter); (Disney+)
2. Star Trek: Voyager: a sexta temporada tem alguns dos melhores episódios da série, enquanto a sétima e última é mais irregular mas ainda conta com excelentes momentos. Talvez a série de Star Trek que eu mais tenha ficado triste de ver acabar; (Netflix até 08/01, creio que Paramount+ depois)
1. The Leftovers: Mas não deu pra ninguém competir com as três temporadas de The Leftovers. Com atuações espetaculares, especialmente da Carrie Coon, a série se propõe mais a refletir sobre as pessoas do que a responder suas grandes perguntas. E ainda termina muito bem. (HBO Max)
Livros
Este foi o ano em que comecei a usar um Reading Journal e atribuir uma nota de 1 a 50 (a soma de 5 critérios de 1 a 10), então foi mais fácil de ordenar as leituras. Infelizmente o melhor livro do ano foi uma releitura, O Assassinato de Roger Ackroyd, da Agatha Christie. E a lista abaixo é só dos inéditos. Meu método não funcionou tão bem para não-ficção, tive que adaptar um pouco e não sei se foi balanceado. Ah, a Katherine Arden e a Becky Chambers mais uma vez se fazem presentes, esta última em dobro!
Todos os livros estão com links para meus reviews no Goodreads.
Menções Honrosas:
Não Verás País Nenhum - Ignácio Loyola de Brandão: a famosa distopia brasileira dos anos 80 me surpreendeu principalmente pelo discurso ecologista, em uma época anterior até mesmo à Rio-92;
Uma Questão de Química - Bonnie Garmus: gosto de como a narrativa é estruturada para ir revelando aos poucos as informações e na construção de uma protagonista neurodivergente que consegue gerar identificação com o leitor;
5. A Guerra da Papoula - R. F. Kuang: apesar do excesso de violência nem sempre justificado, a construção do cenário e de alguns personagens é bem trabalhada e a escrita da autora é envolvente e nos impele a seguir lendo. Pretendo ler o segundo volume em 2026;
4. Ferozes Melancolias - Ana Rüsche: o livro de não-ficção que bagunçou minha metodologia de notas. Gosto muito dos ensaios da Ana, como dá pra ver pela newsletter dela constar do top respectivo. Foi muito prazeroso revisitar algumas edições neste livro;
3. Salmo para um Robô Peregrino - Becky Chambers: esta novela é a primeira parte de uma duologia. Decidi comprar a tradução da Morro Branco, mas me arrependi ao descobrir que não saiu até hoje a continuação por aqui. Acabarei lendo em inglês. Mas essa duologia me conquistou pela simplicidade de sua trama que, ainda assim, traz um clímax eficaz. Adorei os dois personagens principais;
2. O Inverno da Bruxa - Katherine Arden: se o volume dois foi minha melhor leitura de 2024, o três chegou perto. Acho o segundo o melhor da trilogia, mas ainda me diverti bastante, Vasya é a melhor protagonista possível;
1. The Galaxy and the Ground Within - Becky Chambers: esse ano em dose dupla, a Becky Chambers sempre presente na minha lista, pois estou tentando ler em doses homeopáticas a sua obra pra não acabar logo. O quarto e último volume da série Wayfarers é também um dos melhores. É fascinante a forma como a autora inova o estilo de plot a cada volume e a única constância é o worldbuilding. Eu leria tranquilamente um novo livro nesse universo todos os anos pra sempre.
Filmes
Com uma exceção, toda a lista traz filmes lançados no Brasil em 2025 ou quase isso. Infelizmente tenho visto cada vez menos filmes antigos, falta tempo e eu gosto de me manter atualizado nos lançamentos.
Todos os filmes possuem links para meus reviews no Letterboxd.
Menções Honrosas:
Missão: Impossível - O Acerto Final: o suposto último capítulo da franquia pode não chegar ao mesmo nível dos três outros dirigidos pelo Christopher McQuarrie, mas ainda é muito eficaz na construção da tensão e nas sequências de ação cada vez mais inacreditáveis;
Flow: é uma animação linda para os olhos, com uma história singela e delicada, numa pegada Climate Fiction, e produzida por uma quantidade minúscula de pessoas. 2025 foi um ano meio esquisito para animações, mas Flow se destacou;
O Filho de Mil Homens: uma bela fábula, com atuações impactantes e todo um trabalho técnico que me impressionou, dos cenários à fotografia, passando pela belíssima trilha;
10. Foi Apenas um Acidente: provavelmente o filme mais importante da lista, aborda um assunto incômodo e deixa o espectador em uma situação de desconforto sobre entrar ou não em um ciclo de violência, como se ele tivesse alguma escolha na posição dos personagens;
9. O Último Azul: infelizmente é raro ter dois filmes brasileiros na minha lista, então fico muito satisfeito com a presença desta reflexão sobre etarismo e a necessidade de repensarmos o futuro de uma sociedade que está envelhecendo. Belas imagens de Manaus e arredores;
8. Conclave: o filme de papa foi um dos que mais gostei no último Oscar. A construção da tensão é maravilhosa, o Ralph Fiennes brilha e todo o trabalho técnico é lindo, especialmente a fotografia;
7. Sonhos de Trem: vendido como um novo Malick, eu não acho que chega a tanto. É um filme perfeitamente compreensível e com roteiro. É contemplativo, mas nada exagerado, e as paisagens são lindíssimas. Grande atuação do Joel Edgerton;
6. Um Completo Desconhecido: Bob Dylan esquerdomacho? Aqui tem. Não sou fã de biopics, mas quando há um recorte específico pode funcionar. É o caso dessa, do início da carreira do Dylan até a famosa cisão dele com o pessoal da Folk Music ao usar guitarra. Mas a parte que eu gosto são seus relacionamentos. Boas atuações e belas músicas;
5. Pecadores: é horror, é Ryan Coogler, é Michael B. Jordan, uma combinação difícil de dar errado. O filme conta uma tradicional história de segregação racial através do blues e do terror. Da arte à técnica, tudo é extremamente bem azeitado para entregar uma das maiores catarses do ano, além da possível melhor cena do cinema em 2025;
4. Valor Sentimental: me impressionei ao gostar tanto desse filme sobre a relação entre um pai distante e suas filhas após a morte da mãe delas. É clichê dizer isso, mas a casa é um personagem à parte e é lindíssimo acompanhar tudo que ela presenciou ao longo dos anos. Um filme de pessoas falhas e muita sensibilidade. O Stellan Skarsgard de novo na newsletter;
3. Columbus: o único filme que não é recente na lista. Aproveitando a estreia do novo filme do Kogonada (que é bom, mas não como este ou After Yang), finalmente conferi seu primeiro longa. E que delícia de experiência. Personagens de vivências muito diferentes se complementam nessa história que parece simples mas oferece uma possibilidade de reflexão. E tão lindos os prédios;
2. Uma Batalha Após a Outra: vem aí o Oscar do Paul Thomas Anderson? Assim parece. E eu não acharei ruim. Não é o seu melhor filme, mas considerando o altíssimo nível da filmografia do diretor, isso passa longe de significar que não é um grande longa. Atuações excepcionais do Leonardo DiCaprio, do Sean Penn, do Benicio Del Toro, da Teyana Taylor e da novata Chase Infiniti. Um ritmo que fazem as 3h de filme voarem e culminarem com um clímax intenso e imprevisível;
1. O Agente Secreto: mas apesar do segundo lugar ter chegado muito perto, meu filme favorito de 2025 foi O Agente Secreto. O melhor trabalho do Kléber Mendonça e potencialmente o melhor do Wagner Moura também. De Recife para Los Angeles!
Vocês gostam de fazer esse tipo de lista de melhores? Me mandem as suas!





Adoro suas listas! Vou ver principalmente os jogos de tabuleiro e os livros, que não li nenhum.
Lisonjeada pela citação, já que como você mesmo disse senti que foi um ano meio confuso para a Ovelha. Animada para descobrirmos os melhores de 2026 ao decorrer do anoo
Vou salvar sua lista porque as indicações são muito interessantes!
E obrigada demais pela menção honrosa <3 esse foi um ano de elaboração de luto (ainda em curso)... Em 2026 pretendo ajustar o rumo da news, vamos ver o que me aguarda.
Obrigada pelo apoio de sempre! Adoro te ler e me inspirar na sua organização :)