087 - Tampa, Flórida
Uma breve visita à antiga capital do charuto
Comentei algumas edições atrás que estava escrevendo no voo para Orlando. Pois bem, naquela viagem de trabalho sobrou um dia livre e aproveitei para conhecer Tampa, que fica a mais ou menos 1h de distância da parte sul de Orlando, onde estávamos hospedados (eu e meu colega).
A Baía de Tampa é uma grande baía no lado oeste da Flórida, e graças à sua localização serviu de porto para alguns navios de conquistadores espanhóis. Quando os EUA compraram a Flórida da Espanha, ali estabeleceram o Fort Brooke e ao redor deste surgiu a cidade de Tampa.

Um dos grandes marcos na história de Tampa foi a construção da ferrovia pelo magnata Henry B. Plant, o que conectou enfim a cidade ao resto do país, nas últimas décadas do Século XIX. A proximidade marítima com Cuba e a ferrovia permitiram que o empreendedor espanhol Vicente Martinez Ybor trouxesse sua fábrica de charutos para a cidade. A ideia foi exaustivamente copiada e nos anos 1920 a cidade era conhecida como a Capital do Charuto, contando com mais de 300 fábricas e uma produção anual de cerca de 500 milhões de charutos, além de milhares de imigrantes latinos trabalhando na área.
Depois da ferrovia, Henry B. Plant construiu o Tampa Bay Hotel para receber os novos visitantes. Nos anos 1930 o prédio do hotel viraria a Universidade de Tampa, do lado da qual passei e visitei o Henry B. Plant Park, um belo parque público com esquilos e pessoas passeando com seus cachorros, além de universitários.
A zona das antigas fábricas de charuto hoje é conhecida como Ybor City, um bairro cubano encravado perto do centro da cidade. No final da principal avenida do bairro fica o Columbia, restaurante de culinária cubano-hispânica fundado em 1905, o mais antigo restaurante da Flórida e o mais antigo de culinária espanhola do país. Infelizmente a hora que deu para ir lá eu não estava com fome, pretendia só tomar um suco, e tinha 25 mesas na fila de espera, então acabei não conhecendo.

Entre Ybor City e o centro dá pra se deslocar através de um bondinho gratuito, o TECO Streetcar. O centro de Tampa vem sendo revitalizado, com as ilhas de frente atraindo empreendimentos de alto padrão, e a construção da Riverwalk, uma passarela na beira do canal, que permite caminhadas e atividades esportivas e percorre todo o centro, saindo da área portuária e passando em atrações como o Florida Aquarium, o museu History Center, o estádio, o centro de convenções, um museu de arte, um espaço para shows e um grande hotel.
No porto havia dois transatlânticos de cruzeiros trocando passageiros. Foi a primeira vez que vi esses gigantes tão de perto, parecem edifícios. Visitei o History Center, onde aprendi sobre os indígenas da região e a história da cidade. E fiz uma longa e prazerosa caminhada na Riverwalk, em um dia ensolarado.
No geral, achei Tampa uma cidade bem mais aprazível que Orlando, especialmente para quem, como eu, não gosta de parques de diversão. Não chega a ser tão turística, tem uma vibe de cidade grande, com um porto muito ativo, grandes empresas, etc. Mas me pareceu um bom lugar para morar.

Alguém aqui conhece a cidade?
Um Filme: O Diabo Veste Prada 2
Tem sido tão comum que essas continuações lançadas muito tempo depois do original sejam meros caça-níqueis de nostalgia que O Diabo Veste Prada 2 me impressionou positivamente ao trazer para o centro da discussão o declínio do jornalismo como um todo e a necessidade de cliques para a sobrevivência de veículos de mídia. Os principais personagens ganham contornos e gosto do desenvolvimento das relações. O preço é um certo ofuscamento do aspecto da moda na história. Mas na média achei tão divertido quanto o original. Na trama, 20 anos depois, Andy volta a trabalhar com Miranda para tentar salvar a revista.
Leia a minha opinião completa no Letterboxd: O Diabo Veste Prada 2
Onde ver: Cinemas
Outros filmes que vi na quinzena:
Quatro Casamentos e um Funeral (MGM+ e Mubi)
Um livro: Entre Dois Amores, de Mary Westmacott com tradução de Alessandro Zir
Entre 2013 e 2016 eu li a bibliografia completa da Agatha Christie (exceto peças de teatro), e deixei pra reta final os 6 romances não-policiais que ela escreveu sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Agora no grupo de leitura que faço parte e está lendo novamente a bibliografia, decidimos encaixar este primeiro livro de maneira cronológica, ou seja, na ordem de lançamento. É um teste para saber se vamos ler os demais ou se ater aos escritos com o nome verdadeiro.
Eu só lembrava que o protagonista dessa história tinha uma relação com o piano, porque a própria Agatha quis ser pianista em um momento da juventude, e todas essas obras trazem algum aspecto autobiográfico. Mas me impressionei com a trama, que é centrada em Vernon, um jovem filho único de berço nobre mas família meio falida que deseja manter sua grande propriedade da infância, mas não quer trabalhar com o tio em atividades burocráticas e sim ser um compositor de música clássica vanguardista. Ao mesmo tempo, deseja viver um amor por uma garota que é ainda mais pobre e almeja subir socialmente.
Gosto bastante das reviravoltas da trama e do desenvolvimento dos personagens. Porém, é perceptível que o plot poderia ter sido mais bem trabalhado, alguns personagens somem, e há um excesso de melodrama em determinados momentos. Dito isso, a leitura é fascinante, com destaque máximo para o retrato da infância de Vernon, narrado do ponto de vista dele enquanto criança.
Leia a minha opinião completa no Goodreads: Entre Dois Amores
Um Podcast: Naruhodo 464 - É possível entender pesquisas mesmo não sendo cientista?
Não é sempre que eu gosto tanto do Naruhodo hoje em dia. Tem alguma coisa na dinâmica da dupla de apresentadores que já me cansou. Mas como um interessado no método científico, esse episódio em especial trouxe muitos detalhes que eu não conhecia sobre a realização de estudos clínicos.
Ouça no seu agregador favorito ou no link abaixo:
Uma Newsletter: Luas e Marés - Filhas de Ursula, por Lis Vilas Boas
As newsletters têm sido as maiores vítimas da minha escassez de tempo livre, praticamente não li nenhuma desse ano ainda e até por isso não tenho trazido indicações. Mas pra tentar reverter isso escolhi essa série em nove edições da Luas e Mares, na qual a escritora (e pesquisadora da Oceanografia) Lis Vilas Boas discute a presença feminina na ficção especulativa, especialmente na ficção científica, através de reflexões e de entrevistas com nove autoras brasileiras. Gostei muito de toda a série, deixo o link da primeira edição pra acompanharem.
Leia clicando abaixo:



Que legal sua viagem pra Flórida, ELvis! Adorei a perspectiva histórica, que nem tinha noção de que era tão presente nesse estado que, em geral, a gente associa aos parques ou a uma imigração brasileira genérica. Obrigada por nos mostrar outros lados :)